segunda-feira, 6 de maio de 2019

Museum of Anthropology - MOA

Um dos meus objectivos de viagem foi conhecer melhor a cultura indígena canadiana, nomeadamente a da costa ocidental, pelo que uma visita ao MOA era obrigatória.

O que eu não sabia é que, para além dos artefactos das culturas locais, o MOA ainda possui um vasto património cultural de várias culturas do mundo, inclusivamente da nossa.

Por ser da opinião que as imagens podem mesmo valer mil palavras, deixo-vos com algumas das fotos que lá tirei, com uns breves apontamentos meus, pois é difícil descrever a magnificiência de todas as colecções que vi. Uma coisa é certa: foi, definitivamente um dos pontos altos desta viagem!

Deixo convosco uma frase que retive da cultura nativa local: "Quando caminhamos o território do nosso ser, a verdade está em todo o lado à nossa volta".





Nesta foto abaixo pode-se ver uma espécie de prato de família de onde todos comiam e que se encontrava no centro da casa (objecto mais próximo de nós, central, com pessoa a segurar uma bacia).



Se alguns totems encontravam-se à entrada da casa, outros eram mesmo pilares de sustentação da casa e estavam no interior, pelo que serviam de pilares e de decoração à mesma.



E eis que, de repente, vejo o meu segundo urso!!! Na placa abaixo dizia que se podia tocar suavemente, mas que era proibido montar o urso: Capitão Óbvio sempre presente!








Duas das 434 peças portuguesas pertences ao MOA, por contraste com as 18 espanholas. Se já gostava do MOA antes, escusado será dizer que fiquei a gostar mais ainda :D







Tinha sido um dia em cheio, com muita caminhada, muita fotografia e muita bolacha de água e sal, pois estava no meu terceiro dia de enterite (obrigado aos bifes pela "oferta") e no segundo de alimentação exclusiva de chá e bolachas de água e sal. A náusea teimava em acompanhar-me, sendo o máximo tolerado uma bolacha a cada meia hora. Por esta altura ponderei ir a um hospital, pois a tentativa de comprar medicação numa farmácia local sem receita de um colega canadiano surtiu infrutífera. 

Contudo, a perspectiva de um possível internamento afastou-me essa ideia, pois no dia seguinte seria dia de ir para Whistler Mountain onde tinha uma excursão de observação de ursos marcada para a tarde. Quem tinha aguentado dois dias a chá e bolachas, aguentaria mais um ou dois...ou não...

domingo, 5 de maio de 2019

Vancouver

Várias pessoas já me tinham dito que Vancouver é uma cidade lindíssima, pelo que apesar de cidades não serem algo que me interesse muito, decidi gastar um dos dias de férias para a conhecer melhor. E em boa hora o fiz. 

Contudo, a viagem até lá não foi propriamente a melhor. Eu sei que na Europa temos princípios e valores diferentes das outras culturas, nem piores nem melhores, mas ver bairros e bairros inteiros de sem-abrigo degradantemente aceites como um evento natural chocou-me. Bem sei que todas as sociedades têm extremos, mas não esperava de ver o que vi no Canadá, exemplo que eu tinha de uma sociedade capitalista, mas mais humanizada que a estado-unidense. Não posso dizer com propriedade quantos são, nem se a área que "ocupam" é maior que a da dita baixa de Vancouver, mas que me chocou profundamente pelo número de pessoas e pelo número de bairros que ocupam, chocou. Por uma questão de respeito para com essas pessoas, não coloco aqui nenhuma foto desses bairros onde elas "vivem" e pelos quais passei, mas não queria deixar de partilhar convosco a angústia que esta "experiência" me causou.


Voltando a Vancouver, sendo uma cidade relativamente recente para os padrões europeus, a dita baixa onde estão os edifícios mais antigos e protegidos, não é de grande extensão, mas é realmente bonita.



Aparentemente, existem duas coisas que tenho de ver aqui em baixo: o relógio a vapor e a tocha olímpica dos jogos olímpicos de Inverno de 2010, pelo que coloco-me a caminho.

O relógio a vapor não é nada de antigo, pelo contrário. Foi construído pela piada que foi concebê-lo, pesando duas toneladas, libertando vapor a cada 4,5min e tocando os sinos de Westminster a cada 15 minutos. Valeu a pena a caminhada até ele!



Apesar de ligar tanto a desportos de inverno como ao campeonato inter-estadual de corfebol marciano, decido fazer a caminhada até à tocha olímpica, pois assim como assim, nunca estive ao pé de uma, pelo que de inverno ou não, é uma! 

Chegado ao pé da tocha, a mesma está apagada!!! Fiz eu esta caminhada toda para isto: para ver uma tocha apagada. Parece que só a acendem em dias festivos. Por um breve momento senti-me próximo dos meus amigos sportinguistas, confesso. Andam imenso tempo a caminho de Alvalade e só muito raramente aquilo dá alguma chama. Abraço fraterno para todos vós amigos sportinguistas...estou convosco em espírito!



Como gosto de aproveitar tudo na vida, aproveito a vinda a esta "ponta" de Vancouver e decido tirar mais uma fotos, agora na baía vislumbrando o Stanley Park e aproveitando para fazer amigos entre os animais!






Decido dar por terminada a minha visita à cidade e ir até a um dos pontos altos desta minha viagem: o Museu de Antropologia de Vancouver. Mas isso fica para outra crónica que o MOA bem o merece!

Deixo-vos somente com um apontamento giro, o fire safety plan (FSP).

Na entrada do prédio onde estou alojado existe isto:


É, portanto, um plano de segurança para incêndios que está...trancado a cadeado! Já estou a imaginar a cena:

- Estou sim? É da administração do condomínio?
- Sim, em que posso ser útil?
- Daqui fala do 2B. É para dizer que o prédio está a arder e precisávamos da chave do cadeado do FSP para sabermos o que fazer.
- Ah, que chatice. Desagradável, de facto.
- Deveras...cof! Desculpe, mas com este fumo todo começa a ser complicado falar...
- Pois, mas não entre em pânico que isso não ajuda em nada, sim? A chave está com o Sr. Smith (versão canadiana do Sr. Silva), pelo que já lhe vou ligar para ele ir aí levar a chave. Bem bom que o incêndio está a ser agora na hora de expediente. Se fosse daqui a uma hora seria uma chatice.
- Cof, cof, cof...pois...podia ser pior, de facto...cof...estamos com sorte...cof...
- O importante é termos saudinha, não é verdade? Coisas da vida! Bem, até já. E lembre-se: mantenha a calma.
- Cof, cof...cof, cof...pois, haja saudinha! Obrigado, sim? Cof..
- De nada. Estamos aqui para isso mesmo! Há algo mais em que o possa ajudar hoje?
- Cof, cof...assim de repente não estou a ver. Mas como este fumo todo também já não se vê nada...cof...cof...
- Disponha então. Não desligue que vai ouvir umas perguntas sobre a qualidade do atendimento, está bem?
-...
- Estou, estou?
-...


sexta-feira, 3 de maio de 2019

Stanley Park

O segundo dia é dedicado em exclusivo ao Stanley Park: um parque de vários quilómetros localizado numa península em Vancouver. Objectivos: conhecer a floresta húmida da costa ocidental canadiana, tocar no Oceano Pacífico pela primeira vez e ter um primeiro contacto com a cultura indígena da zona, sobre a qual admito saber quase nada. Apanho dois autocarros até chegar à entrada do parque e começo a caminhada.

Mal tenho a oportunidade desço para a costa e, sendo maré baixa, encho-me de lodo e vou tocar no Pacífico. Sim, nunca mais o Pacífico foi o mesmo!


Continuo a caminhada e dou por mim a rever algo que já não via pessoalmente desde a época das Maldivas: um hidroavião. Pelas minhas contas eram 16 e fazem parte das actividades turísticas de Vancouver: fazer uma viagem sobre a área para ter uma perspectiva diferente.



Não demoro muito a ter o primeiro contacto com a cultura indígena, quando avisto os primeiros totems!!! Os totems tinham várias utilidades, sendo que uma delas era estar à entrada das casas para identificar a família a que pertencia a casa, sendo que também permitia distinguir a importância das famílias. Ao contrário do que se pode pensar, não eram objecto de adoração nem representavam deuses alguns.




Logo ao lado dos totems, com quem é que eu me deparo? Com o Zé!



O Zé, mais conhecido por estas partes como Joe Silvey, José Silva no original, foi um dos primeiros brancos a chegar aqui (cerca de 1860), tendo casado com duas princesas indígenas (a primeira morreu de tuberculose) e criado uma comunidade mista. Este pioneiro era açoriano, pelo que este monumento foi construído com o apoio de várias entidades açorianas, sendo a calçada portuguesa que está à volta sido construída por um açoriano que voou de propósito para a aplicar. No topo da escultura está uma figura que representa a águia local e o açor. A escultura foi feita por um dos seus milhares de descendentes e honra a importância da comunidade portuguesa cujas contribuições ajudaram a construir a província da Columbia Britânica, assim se pode ler na placa.


Depois desta parte do parque, embrenho-me na floresta húmida e percorro-a quase alheado do facto de estar perto de uma cidade, não fosse o ruído dos hidroaviões que constantemente amaram e descolam.




Depois de muito andar (mesmo!), chego ao Prospect Point, lugar mais alto, de onde se pode vislumbrar parte da baía de Vancouver e a parte de West Vancouver.






Estava na hora de descansar um pouco e depois regressar. No dia seguinte seria dia de visitar a baixa, conhecer a arquitectura e visitar o Museu de Antropologia, um dos meus interesses principais da viagem. Deixo-vos com alguns "apontamentos". Até amanhã...


Se algum de vós alguma vez se perguntou se havia uma linha que separava a sabedoria da ignorância, encontrei a resposta a essa vossa pergunta. De nada!



Se há entidade mais omnipresente que Deus, essa entidade é o Capitão Óbvio!



Existe uma versão Vancouveriana da Pequena Sereia dinamarquesa. Não é sereia, mas tem barbatanas e representa a ligação de Vancouver ao mar.



Os Canadianos gabam-se de ser organizados, pelo que até os castores têm buracos numerados e com chave para a porta. Ou isso ou alguém encontrou uma chave no meio do percurso e pendurou-a ali. Gosto mais da primeira hipótese!



Para finalizar, eis uma estalada sem mão que este Panda dá ao nosso Panda. Quais caricas, quais quê! Isto sim, é animação familiar, agora festival do Panda...bah!


quinta-feira, 2 de maio de 2019

O primeiro dia

Acordo e, de imediato, sinto-me um verdadeiro cidadão do mundo: parte do meu corpo está aqui, o meu cérebro ficou algures sobre o Atlântico e o estômago na Gronelândia. Não sei se quero dormir ou se quero comer, mas tenho de me levantar e começar a acertar os “horários”, pelo que vamos a isto!
O primeiro dia será um dia leve, com poucas caminhadas, pelo que visito um parque natural em Burnaby, cidade irmanada com Kushiro, no Japão.

Antes de avançar, relembro que só 46% da população é de origem canadiana-europeia, pelo que tirando os 2% de nativos, o resto são asiáticos de várias origens. Faz todo o sentido, se se pensar que a Ásia está aqui ao lado, mas como nunca tinha pensado nisso, ver asiáticos por todo o lado não deixa de ser estranho.

Subo ao Burnaby Park e tenho a minha primeira visão de Vancouver. “Presa entre as montanhas e o Pacífico, é uma cidade cheia de zonas verdes e, apesar dos edifícios altos, harmoniosa na paisagem.




As áreas verdes são extensas e não fosse o pormenor de odiar musicais e teria cantarolado o Música no Coração. Felizmente, o meu bom gosto/senso prevaleceu, pelo que limitei-me a fazer amigos entre os locais e a imiscuir-me na paisagem!






Alguns pormenores locais para vocês:

- os bancos de jardim são “patrocinados” pelos mortos. Alguém que não mostre isto ao Fernando Medina!!!



- os caixotes do lixo têm um modo de abertura anti-urso.



- o Capitão Óbvio passou por aqui.




Entretanto, que vejo eu ali ao fundo? Poderá ser? É mesmo!!! O meu primeiro ursoooooooooo!!!



Pronto, não é um urso à séria, mas já tenho a escultura e o caixote do lixo anti-urso, pelo que são tudo bons prenúncios (nada como pensar positivo!).

Finalizo o “dia” indo a uma casa de gelados com 238 sabores, sendo alguns simplesmente esquisitos.

Sim, a maioria das lojas tem tudo em inglês e mandarim (suponho eu!).

Saliento, de entre todas as bizarrias, pera com queijo azul gorgonzola. É de chorar por menos!!!



São 19.00 aqui, mas para mim são algures entre a meia noite e as três da manhã, dependendo do órgão a que perguntarem, pelo que aterro no sofá. Amanhã conto ter os meus órgãos mais síncronos e, por isso, planeei uma caminhada por um parque de vários km. Mal posso esperar!


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Londres-Vancouver




Embarco numa aeronave particularmente antiga para uma viagem de longo curso. Os monitores do entretenimento parecem tirados de um Atari (os mais novos de vós poderão googlar o que é!, pelo que a qualidade do entretenimento promete!!! Felizmente descarreguei o audiolivro do Orgulho e Preconceito, pelo que estou assegurado para a viagem (cara de satisfaçãozinha).



A meu lado tenho um inglês de origem indiana com o seu filho. Confesso que entre a sua pronúncia e o facto de o indivíduo gostar de vinho tinto (mais à frente volto ao tema), não foi fácil perceber tudo o que me dizia. Meto conversa perguntando se ele já tinha feito esta rota e se sabia quantas refeições quentes serviam durante a mesma. Diz-me que duas, o que me parece razoável, tendo em conta a duração da viagem, pois este corpinho não vive do ar, etc e tal.

Após estarmos a voar há uma hora, servem uns aperitivos, altura em que o meu vizinho pede vinho tinto para acompanhar. Perante duas hipóteses, escolhe o merlot e dá-se por satisfeito. Começa a contar-me que vai para uma festa de casamento em Vancouver e pergunta-me de onde venho. Não se lembra onde é Lisboa, ao que lhe respondo Portugal. Ah, Portugal. Já aí estive duas vezes: em Albufeira! Estive para lhe dizer que isso é igual a dizer que já se esteve em Paris, quando só se foi à Disneylândia, mas prefiro não. Vinha aí uma espectacular explicação para o Brexit!

Pois, diz ele. O meu filho já foi à Madeira há oito anos para ver a loja da irmã do Maradona! Do Maradona, pergunto eu. Não será antes do Cristiano Ronaldo? Ah, pois...isso, confirma-me!  Sim, ainda só ia no primeiro vinho tinto da viagem, mas como já eram 20.00, não sei o que estaria a montante.

- Isto do Brexit é uma chatice, diz-me. Uma grande confusão. Ninguém sabe quando e como. Não se entendem. Eu percebo as pessoas quererem sair da UE.

- Ah, sim? E porque querem elas sair?

- Por causa dos romenos, diz-me ele com cara de constatação do óbvio.

- Dos romenos?

- Sim, sim. Antigamente o leiteiro deixava o leite à porta diariamente e nós deixávamos o dinheiro da despesa semanal debaixo das garrafas vazias ao sábado. Agora já não se pode fazer isso. “Eles” não querem trabalhar. À minha cunhada já lhe assaltaram o carro. “Eles” pedem boleia a velhinhas que, tendo pena deles, dão boleia e, a meio do caminho, pedem para sair e fazem uma emboscada e levam os carros. A minha cunhada tinha um Mercedes novo, parou à porta da garagem na rua, apareceram dois indivíduos com uma faca e levaram o carro.

Nessa altura apetece-me perguntar se os indivíduos foram apanhados e identificados como romenos, mas decido não fazê-lo.

Este discurso é de um inglês de origem indiana sobre romenos, mas pode ser importado para qualquer outro país e contexto, com diferentes intervenientes que a retórica é a mesma. Sinais dos tempos.

Chega a primeira refeição quente e o meu vizinho volta a pedir tinto. O comissário de bordo diz que não tem merlot ali, que tem de ir buscar, ao que o homem lhe responde que não vale a pena e que pode deixar o que tem. Abre o vinho, prova-o e volta a chamar o comissário de bordo.




- Este não presta. Pode trazer-me o merlot?

- Com certeza. Posso levar esta garrafa?

- Sim, sim. Só um momento, diz - enquanto despeja o resto do vinho no seu copo, entregando a garrafa vazia do vinho que não prestava ao comissário. Pode não prestar, mas não se pode desaproveitar!!!

Depois da refeição, decido ouvir o audiolivro, acto que durou 2 minutos. Mas quem é que permite que pessoas com voz de cana rachada leiam para audiolivros?!? Não há condições, pelo que decido apagar o livro todo, fazendo pouco da minha cara de satisfaçãozinha prévia!

O entretenimento a bordo tem vários títulos, embora não assim tantos, pelo que decido ver um filme leve e adequado ao espírito de férias: Mary – Queen of the Scots.

A meio tento dormir um pouco, mas a tentativa revela-se infrutífera. Atrás de mim um outro indivíduo dorme, não parando de me massajar a lombar com os seus joelhos (será que faz domicílios?), o chão onde estou cede um pouco sempre que alguém passa no corredor (a sério!) e o meu vizinho tem de ir reciclar o vinho tinto, pelo que decido deixar-me de mariquices e aceitar o vôo de 9h30 e o jet-lag de oito horas como um homenzinho, permanecendo acordado a viagem toda!




Como temos vento muito forte de cauda até à Gronelândia, a viagem durará somente nove horas. Começo a achar estranho faltarem duas horas para a aterragem e não ser servida a segunda refeição quente. Depois uma hora e meia e eis que faltando 1h15min para a aterragem servem uma meia sandes com um doce. Escusado será dizer que o meu companheiro de viagem voltou a pedir merlot e eu teria ficado com fome, não tivesse pedido uma segunda meia sandes!

Preparo-me para a descida, não sem antes me deliciar com a vista das Rocky Mountains.




Em breve estaria em solo canadiano, na expectativa de ver ursos. Mal sabia eu que não teria de esperar muito para isso...





Lisboa-Londres



As novas tecnologias são fantásticas! Chamo um Kapten, pois a Uber estava mais cara e “sai-me” o João como condutor. Ele é de Brasília, pelo que não faz a mínima ideia de como chegar aonde estou sem usar o GPS. Estão a ver o jogo Pacman? Pois, vê-lo a tentar chegar onde eu estava foi como ver um jogo de Pacman, mas com a diferença que ele não era amarelo nem comia coisas pelo caminho!

Vôo numa aeronave (ah,que saudades tinha eu de dizer aeronave - http://des-terrados.blogspot.com/2008/09/lisboa-madrid-parte-1.html ) da  TAP de Lisboa para Londres e se há algo com que podemos contar nesta vida é com a TAP. Contar que o avião não sai a horas, claro. E qual a razão desta vez? O fantástico sistema de embarque completamente automatizado e super-espectacular da TAP!

Chego à porta de embarque e verifico existirem 4 filas para embarque: premium boarding (que os executivos só falam estrangeiro), passageiros sem mala, categoria A e categoria B. Escusado será dizer que eu sou categoria B, pelo que fico para o final. Felizmente não existia categoria G de gado, se não por esta altura ainda estaria em Londres a fazer despiste para a brucelose ou algo do género.

Mas o atraso não se deveu a isto, deveu-se aos quatro avisos prévios ao início do embarque propriamente dito. Estavam quatro indivíduos a olhar para computadores sem embarcar ninguém e os avisos a soarem. Primeiro: Srs. Passageiros, bem-vindos ao vôo TAP 1352 com destino a Londres. Agradecemos que os Srs. Passageiros acondicionem a bagagem de mão, etc, etc. Repete em inglês. Aguardam-se uns minutos para a informação ser processada. Segundo: Chamamos a atenção para a fila sem bagagem de mão, para a qual se poderão dirigir, etc, etc. Repete em inglês. Aguardam-se uns minutos para a informação ser processada. Terceiro: Iremos proceder agora ao embarque, primeiro para os passageiros com crianças ou que precisem de assistência  e depois para os restantes passageiros, etc, etc. Repete em inglês. Aguardam-se uns minutos para a informação ser processada. Quarto: Primeiro embarcarão as pessoas com premium boarding, depois etc, etc. Repete em inglês. Aguardam-se uns minutos para a informação ser processada. Percebem o potencial de irritante da coisa, certo?

Se no vôo da Iberia para Madrid há dez anos atrás, os espanhóis tinham sido simpáticos q.b. e deixado o lugar do lado vazio para evitar contágios, com a TAP não tive a mesma sorte, pelo que fui acompanhado de um bife que adormeceu ainda antes da descolagem. E quando digo acompanhado, digo mesmo acompanhado. Primeiro a sua perna direita descaiu para a minha zona e entrou em contacto com a perna esquerda, depois foi a vez do braço direito descair. Fiquei à espera que a cabeça também descaísse para lhe fazer umas festas na cabeça e chamar-lhe lombinho angus, mas para vossa desilusão, tal não aconteceu.



Chegado a Heathrow, faço uma pausa para almoçar  um bacon steak acompanhado daquela batatada seca que os bifes adoram e vou para a sala de embarque que só distava 20min da zona do painel de informação das portas de embarque. Compreende-se: quem come um bacon steak tem de gastá-lo antes de uma viagem de longo curso. Há que evitar indigestões e afins!



Na porta de embarque constato a existência de um piano para quem quiser nele tocar. Pena não ser só para quem soubesse realmente tocar, pois teria evitado que um pai já saturado dos seus filhos, lhes tivesse dito para irem entreter-se para o piano. Contudo, depois desta sessão de martelanço de teclas, dois passageiros tomaram à vez o teclado e tocaram obras clássicas e jazz, pelo que o ambiente ficou muito melhor. Aliás, a vida é muito melhor com música em geral!



Seguia-se a viagem de 9h30 Londres-Vancouver, com a esperança de não ter nenhum bife com tendências descaintes...